Homens de milho
Part of the Prosa Latino-Americana series
Na busca pela reinvenção de um mito, Asturias criou um romance experimental que emula a cosmovisão indígena. Dividido em seis capítulos que parecem contos interdependentes, a história se divide em dois momentos que se valem da alegoria para explicitar a luta entre o imperialismo ocidental e a tão enraizada tradição dos povos locais.
As mortas
Part of the Prosa Latino-Americana series
Baseado em um dos casos criminais mais escandalosos do México do século XX, As Mortas recria, com ironia mordaz e humor negro, a trajetória de duas irmãs que transformaram uma rede de bordéis em um império de exploração e violência. Entre pactos secretos, ambição desmedida e uma sequência de assassinatos de mulheres, Jorge Ibargüengoitia constrói um romance vertiginoso que expõe as engrenagens do poder, da corrupção e da hipocrisia social. Ao transformar a crônica policial em literatura, o autor não apenas revela a brutalidade do episódio real, mas também questiona os limites entre verdade e ficção. O resultado é uma narrativa envolvente, ao mesmo tempo divertida e perturbadora, que consagra Ibargüengoitia como um dos grandes mestres da sátira latino-americana.
Avalovara
Part of the Prosa Latino-Americana series
Em comemoração ao centenário de Osman Lins (1924-1978), a editora Pinard traz o primeiro autor brasileiro a integrar a coleção Prosa Latino-Americana com o grandioso romance Avalovara (1973).
O romance é considerado até hoje um dos projetos literários mais ousados do Brasil. Publicado em plena Ditadura Militar, o livro traz uma narrativa em sobre a escrita e o mundo, em que a imagem dos nomes se sobrepõe à imagem dos seres e das coisas, compondo uma realidade que o leitor é obrigado a decifrar.
Embora seja considerado um dos maiores clássicos da literatura brasileira, o livro encontrava-se esgotado nos dias de hoje. Dessa forma, será publicado em nova edição, com capa dura, ilustrações internas e texto de apoio.
Huasipungo
Part of the Prosa Latino-Americana series
A Pinard está de volta com a publicação de mais um clássico latino-americano esgotado no Brasil: Huasipungo, obra-prima do Equador publicada por Jorge Icaza em 1934. Até hoje, é considerada um dos romances mais representativos do continente sobre denúncia social – principalmente no que se diz respeito à exploração dos indígenas em prol de um ideal civilizatório moderno extremamente cruel.
Esgotado desde 1980 no Brasil, o livro ganhou nova tradução realizada por Gilson Charles dos Santos, professor do Departamento de Linguística, Português e Línguas Clássicas pela Universidade de Brasília (UnB). A obra seguirá o padrão editorial da coleção Prosa Latino-Americana, com capa dura, texto de apoio e ilustrações internas coloridas.
Quão caro foi o açúcar?
Part of the Prosa Latino-Americana series
"Quão caro foi o açúcar?" oferece um retrato vívido da sociedade de Suriname, vizinha ao Brasil, durante o período colonial holandês. A narrativa acompanha as vidas de duas meia-irmãs judias, Elza e Sarith, descendentes dos colonos da "Nova Jerusalém do Rio", conhecida hoje como Jodensavanne. Através dessas mulheres, o romance revela as hipocrisias e injustiças de uma sociedade onde o açúcar reinava supremo, afetando profundamente a vida de colonos e escravizados.
A morte de Artemio Cruz
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A Morte de Artemio Cruz (1962) narra as últimas horas de vida de um antigo revolucionário mexicano, agora um poderoso empresário, que está morrendo em seu leito, velho e doente, dentro do quarto de uma mansão da Cidade do México. A história se desenrola a partir da consciência fragmentada de Artemio, misturando suas lembranças, delírios e pensamentos imediatos. Por meio de uma estrutura narrativa inovadora ― que alterna entre a primeira, segunda e terceira pessoa ―, o romance mergulha no passado do protagonista: da juventude idealista na Revolução Mexicana à sua ascensão política e econômica marcada por traições, oportunismo e perdas morais. Em meio a suas recordações ― de amores perdidos, decisões cruéis e pactos com o poder ―, Artemio Cruz torna-se uma metáfora do México do século XX: um país marcado por lutas libertárias que se converteram em estruturas autoritárias e desiguais. O romance de Fuentes, portanto, vai além do retrato individual e assume um papel crítico e histórico, denunciando as distorções do poder e a falência dos ideais revolucionários.
Museu do romance da Eterna
Part of the Prosa Latino-Americana series
Considerado um dos romances mais inventivos da América Latina e o fundador da modernidade literatura argentina, a obra-prima de Macedonio começou a ser escrita em 1904 e foi publicada 15 anos após sua morte. Nela, está presente uma série de prólogos anunciando uma história que parece nunca chegar: a de um homem que, após a morte da esposa, decide deixar a cidade e se refugiar no campo, numa estância chamada "O Romance".
Anarquista, Macedonio apresenta aqui um romance que é uma verdadeira crítica à instituição do romance. Incompleto, fragmentário e insatisfatório, ele luta contra a escrita tradicional ao criar uma narrativa que, pelas palavras de Joca Reiners Terron, faz um libelo "contra as imposições da relação de causa e efeito determinadas pelo papel da trama na concepção do relato". Aqui, a ficção é também um tratado etnográfico e um ensaio sociológico que fez o escritor Juan José Saer afirmá-lo como "um monumento teórico sem precedentes na literatura de língua espanhola".
Tradutora de "Museu do Romance da Eterna", Silvia Massimini Felix é formada em Língua e Literatura Espanhola e Italiana pela Universidade de São Paulo, e mestre em Literatura Espanhola pela mesma instituição, com uma dissertação cujo objetivo foi traduzir e analisar duas novelas exemplares de Cervantes. É pesquisadora e membro do grupo "Cervantes: poética, retórica e formas discursivas na Espanha dos séculos XVI e XVII". Trabalha como tradutora de espanhol e italiano e preparadora de textos para diversas editoras. Nos últimos anos, vem se dedicando à tradução de escritoras contemporâneas latino-americanas, como as argentinas Gabriela Cabezón Cámara e Ariana Harwicz, as equatorianas María Fernanda Ampuero e Mónica Ojeda, as mexicanas Guadalupe Nettel e Cristina Rivera Garza, e as chilenas María José Ferrada, Nona Fernández e Alia Trabucco Zerán.
Filho de ladrão
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Considerado um clássico da literatura chilena, Filho de Ladrão acompanha Aniceto Hevia, jovem que busca forjar sua identidade em meio à pobreza, à marginalidade urbana e às tensões sociais de Santiago. Inspirado em vivências do próprio Manuel Rojas, o romance combina lirismo e realismo para narrar uma trajetória de formação marcada pela luta por dignidade e liberdade.
María
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María, de Jorge Isaacs, é uma das obras mais emblemáticas do romantismo latino-americano. Publicado em 1867, o romance tornou-se um marco da literatura do século XIX por sua prosa lírica, seu profundo senso de melancolia e pela maneira como entrelaça amor, memória e natureza. Ambientado no exuberante Vale do Cauca, na Colômbia, o livro encanta gerações de leitores com sua delicadeza emocional e riqueza descritiva. Mais do que uma história de amor, María é um retrato da juventude idealizada, dos laços familiares e do tempo que transforma todas as coisas. Sua importância na tradição literária hispano-americana o coloca ao lado dos grandes clássicos universais.
Sobre heróis e tumbas
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Publicado em 1961, Sobre heróis e tumbas é considerado o grande romance de Ernesto Sabato e uma das obras fundamentais da literatura latino-americana do século XX. Ambientado em uma Argentina marcada por crises políticas e existenciais, o livro acompanha a trajetória de Martín e Alejandra, cujas vidas se entrelaçam em uma narrativa densa sobre amor, loucura, identidade e decadência. Entre os vários núcleos da obra, destaca-se o célebre "Relatório sobre Cegos", um dos capítulos mais intensos e perturbadores da literatura contemporânea. Misturando realismo, reflexão filosófica e visões apocalípticas, Sabato constrói um retrato inquietante da condição humana e da história argentina.
A semana das cores
Part of the Prosa Latino-Americana series
"A Semana das Cores" é livro seminal de Elena Garro (1916-1998), escritora até hoje considerada uma das mais importante do México, que inspirou muitos autores latino-americanos e trouxe um olhar renovado sobre a beleza e a violência que tanto demarca a trajetória do México.
Publicado em 1964, o livro consiste em treze contos que se associam ao realismo mágico, famosa corrente literária latino-americana. Suas histórias acontecem em diferentes espaços urbanos e rurais do México, trazendo como temas a injustiça social, a questão de gênero, a pobreza e a corrupção dentro de cenários e situações carregadas de magia – muitas delas associada à memória e a cosmovisão indígena.
Considerado um dos maiores clássicos do nosso continente, "A Semana das Cores" nunca foi publicado no Brasil. Dessa forma, será publicado como o 12º livro da Coleção Prosa Latino-americana em tradução inédita, com capa dura, ilustrações internas e texto de apoio.
O recurso do método
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A América Latina é o grande tema do romance O recurso do método. Alejo Carpentier faz um painel político-cultural do continente latino-americano trazendo para o centro da narrativa um ditador chamado apenas de Primeiro-Magistrado. Situada entre 1913 e 1940, que marca a chegada do ditador ao poder da Nação e a sua subsequente morte no exílio, a narrativa faz uma verdadeira recuperação histórica da América Latina ao mostrar a violenta repressão do Primeiro-Magistrado aos movimentos de oposição e a qualquer tentativa de revolução. O protagonista do romance é construído a partir de retalhos de ditadores reais que assombraram o continente latino-americano. Entre eles estão: Antonio Guzmán Blanco (Venezuela), Porfirio Díaz (México), Manuel Estrada Cabrera (Guatemala), Gerardo Machado (Cuba), Cipriano Castro (Venezuela), Anastasio Somoza García (Nicarágua), Rafael Trujillo (República Dominicana) e Fulgencio Batista (Cuba). O título do livro faz referência ao famoso livro de René Descartes, Discurso do Método. Para o autor, a "América latina é um Continente essencialmente anticartesiano no que se diz respeito ao desenvolvimento da sua história (...) Cada capítulo é encabeçado por uma citação de Descartes que, tomada a partir da perspectiva do meu Tirano Ilustrado, justifica os atos mais delirantes e arbitrários (...) Recursos de um método que consiste em não ter nenhum"."