Romagem de Agravados
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Romagem de Agravados é considerado um auto-chave da dramaturgia
de Gil Vicente. Na Romagem aproveita a estrutura de um rito de procissão
religiosa cuja ação se desenvolve aos pares de personagens. Através
do ridendo castigat mores e sob a fina ironia do fundador do teatro português,
condutas humanas maléficas são apontadas, a título de exemplo, em
diferentes estamentos sociais marcadamente profissionais. O roteiro da
ação é simples, mas reiterado, e aos poucos a cena se preenche como os
diversos pares de agravados, tudo culminando numa louvação, ou "lai mecenático"
ao nascimento de um Príncipe Infante do Reino português. A estrutura
desse auto vicentino é a que se pretende analisar no presente artigo.
Palavras-
Iracema
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Uma das mais belas obras da literatura romântica brasileira, "Iracema" é a trágica historia da índia apaixonada pelo guerreiro branco. Iracema é apresentada por um narrador que retrata como o mais belo elemento da natureza brasileira. Impossível, portanto, não ser admirada.
Seu autor, José de Alencar, construiu em "Iracema" uma parábola perfeita do processo de conquista do Brasil e de toda a América Latina pelos colonizadores europeus. A começar pelos nomes dos protagonistas: Iracema, que nada mais é do que um anagrama da palavra América, e Martim, que remete ao deus romano Marte, o deus da guerra e da destruição. A linguagem usada por Alencar para escrever o romance é uma tentativa de representar a língua e o caráter indígenas para o leitor entender a lenda do Ceará como se a história tivesse saído da boca de um índio brasileiro.
Memórias póstumas de Brás Cubas
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"Memórias Póstumas de Brás Cubas", obra publicada em 1881, conta a história daquele que é considerado o maior hipócrita da literatura brasileira: Brás Cubas, personagem tipicamente burguês, sem objetivos e bastante contraditório que resolve escrever sua história depois de morto, tornando-se o primeiro autor defunto da humanidade.
A narrativa é marcada pela desordem cronológica, o excesso de transgressões e reflexões – que muitas vezes suspendem a narrativa por muitos capítulos – e a aparente falta de conexão entre os pensamentos do narrador e o que é contado. O romance também é recheado de ironia e bom humor, como recursos para combater verdades absolutas, e pede um leitor bastante atento e desconfiado quanto às afirmações do narrador. Além desses elementos, Machado de Assis lançou mão de outros para criticar a sociedade de sua época, bem como suas filosofias: o Humanitismo, a frágil inteligência de seu narrador e seu espírito mediano. Isso já basta para se perceber que estamos diante de uma obra singular.
Auto da Índia
Adaptação de Alexandre Azevedo
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O Auto da Índia fala do adultério como consequência das viagens dos Descobrimentos. Constança, insatisfeita com seu marido e ao que tudo indica casada apenas por interesse, arranja dois amantes (um castelhano chamado Juan de Zamora e um português chamado Lemos) enquanto o marido está numa viagem com destino à Índia.
A cena desenrola-se em sua casa, com a cumplicidade a contragosto de sua empregada, designada simplesmente por Moça, que tenta a custo defender a moral do seu Senhor. No final do auto o marido retorna a casa e Constança, cheia de cinismo e falsidade, recebe-o de braços abertos, pois este iria voltar cheio de riquezas, facto que não se verificou, uma vez que o capitão da navegação havia ficado com todas as riquezas pilhadas na Índia.
Auto da Lusitânia
Adaptação de Alexandre Azevedo
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A peça foi representada ao muito alto e poderoso Rei D. João, o terceiro deste nome em Portugal, e ao nascimento do muito desejado Príncipe D. Manuel, seu filho, era do Senhor de 1532. Adaptação de Alexandre Azevedo para a peça Auto da Lusitânia, de Gil Vicente.
Auto dos Almocreves
Adaptação de Alexandre Azevedo
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A Farsa dos Almocreves é uma das menos conhecidas e reconhecidas peças de Gil Vicente, sátira que por seu conteúdo fortemente crítico com a sociedade quinhentista portuguesa passaria por inúmeras dificuldades perante o tribunal da Inquisição, sendo talvez a versão aligeirada -essa é a hipótese que este livro desenvolve- de uma peça intitulada Aderência do Paça, aparentemente desaparecida após expressa censura do Santo Oficio. O interesse da Farsa dos Almocreves ultrapassa a simples comicidade da cena central, o hilariante e desconexo diálogo entre dois almocreves, possuindo, apesar de uma história textual que imaginamos complexa, muitas das particularidades que individualizam a obra dramática de Gil Vicente no contexto do século XVI português. Utiliza com completa liberdade recursos dramáticos da rica tradição espetacular medieval e personagens-tipo facilmente reconhecíveis para realizar uma crítica social e política muito concreta, visando denunciar o "diabólico" conceito de "aderência".
Auto da barca do inferno
Adaptação de Alexandre Azevedo
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O "Auto da Barca do Inferno" (c. 1517) representa o juízo final católico de forma satírica e com forte apelo moral. O cenário é uma espécie de porto, onde se encontram duas barcas: uma com destino ao inferno, comandada pelo diabo, e a outra, com destino ao paraíso, comandada por um anjo. Ambos os comandantes aguardam os mortos, que são as almas que seguirão ao paraíso ou ao inferno. Adaptação de Alexandre Azevedo para a peça Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente.
Auto dos mistérios da virgem ou Auto de Mofina Mendes
Adaptação de Alexandre Azevedo
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O "Auto dos mistérios da virgem ou Auto de Mofina Mendes" (c. 1524) é constituído por um prólogo e por três partes. O prólogo recai nas mãos de um Frade, que inicia um sermão de carácter jocoso. Este sermão (num latim macarrônico) tem, apesar do toque humorístico vários objetivos: contrastar a gravidade religiosa do Mistérios, aludir à incapacidade de se decifrar os enigmas da Natureza, colocar as questões do livre- arbítrio e de predestinação, afirmando que a insensatez humana reside no esquecimento das virtudes cristãs. De facto, o discurso não é uma simples crítica contra os pregadores de então, ou sátira da escolástica medieval (o que terá motivado a censura de 1586 e 1624). Mofina Mendes está ao serviço de um dos dois pastores (Paio Vaz e André), que iniciam a moralidade. Mofina é a "infelicidade mesma": só acontecem desastres à jovem pastora, perdendo os animais que devia ter guardado. Mesmo assim, o patrão paga-lhe com um pote de azeite. A jovem contente, põe-se a dançar e parte o pote. O auto termina com uma Natividade e com a adoração ao menino Jesus no Presépio, por parte da Virgem, de José, das damas de honor, do Anjo e dos pastores. É Jesus que fará os homens saírem da sua condição desgraçada. Adaptação de Alexandre Azevedo para a peça Auto dos mistérios da virgem ou Auto de Mofina Mendes, de Gil Vicente.
Macunaíma
O herói sem nenhum caráter. Conteúdo adicional! Perguntas de vestibular
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Macunaíma nasceu numa tribo amazônica. É um menino mentiroso, traidor, pratica muitos atos incorretos, fala muitos palavrões, além de ser extremamente preguiçoso. Tem dois irmãos, Maanape e Jiguê. Cresce e se apaixona pela índia CI, A Mãe do Mato, seu único amor. Depois da morte de sua mulher, Macunaíma perde um amuleto que um dia ela havia lhe dado de presente, era a pedra "muiraquitã". Fica desesperado com essa perda, até que descobre que a sua muiraquitã havia sido levada por um mascate peruano, Vesceslau Pietro Pietra, o gigante Piamã, que morava em São Paulo. Depois da descoberta do destino de sua pedra, Macunaíma e seus irmãos resolvem ir atrás dela para recuperá-la. Piamã era o famoso comedor de gente, mas mesmo assim ele vai atrás de sua pedra. O enredo começa, então, a contar as aventuras de Macunaíma na tentativa de reaver a sua "muiraquitã". Após conseguir a pedra, Macunaíma regressa para a sua tribo, onde, após uma série de aventuras finais, finalizando novamente na perda de sua pedra. Então, ele desanima, pois sem o seu talismã, que, no fundo, é o seu próprio ideal, o herói reconhece a inutilidade de continuar à sua procura, se transforma na constelação Ursa Maior, que para ele, significava se transformar em nada que servisse aos homens.
Amar, verbo intransitivo
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Em "Amar, verbo intransitivo" Mário de Andrade propõe-se a explorar o mistério da alma feminina com a criação da personagem-chave: a governanta alemã Fraülein, de 35 anos, contratada por Sousa Costa, patriarca da família, para iniciar sexualmente seu filho Carlos, de 16 anos.
Contando com uma narrativa experimental, ousada, próxima da linguagem cinematográfica, o primeiro romance de Mário de Andrade é sem dúvida uma das referências mais significativas do modernismo brasileiro. Em seu primeiro romance - Amar, verbo intransitivo -, Mário de Andrade aventura-se a explorar e apreender a natureza e o mistério da alma feminina lançando mão de uma magistral composição da personagem-chave do seu livro: a governanta alemã Fraülein. Narrativa experimental, ousada, plasmada numa linguagem cinematográfica, espontânea, esta obra é uma importante referência dentro do movimento modernista, cujo valor literário reconhecem, à medida que sobre ela se debruçam, os críticos e estudiosos da formação da literatura nacional.
A cidade e as serras
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Romance publicado postumamente, em 1901, "A cidade e as serras" faz uma crítica mordaz ao estilo de vida que se desenvolve na Europa em meio ao progresso material do fim do século XIX. Filho de uma abastada família portuguesa, Jacinto, o protagonista, nutre grande entusiasmo pelo brilho das cidades europeias. Mas sua estada em Paris transcorre em meio ao tédio e o vazio. Ele parte então de volta às suas origens e reencontra a paz e o contentamento na vida simples do campo. Jacinto é um grande defensor da civilização. Pensa que um homem só pode ser feliz com a presença de máquinas, de tecnologia, de veículos e de multidões. José Fernando, depois de sete anos na província, encontra Jacinto e percebe as inutilidades que a idéia de civilização gerava e como ela desgastava a vida do amigo.