Arte de Bolso
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Claudio Tozzi
Com imagens, glossário e biografia
by Fábio Magalhães
Part of the Arte de Bolso series
A maioria dos artistas percorre um longo caminho para que sua obra seja reconhecida no meio artístico-cultural e admirada pelo grande público. Não foi o que aconteceu com Claudio Tozzi. Muito jovem, e ainda estudante de arquitetura, ele produziu no ateliê da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo as suas primeiras serigrafias, que tiveram imediata repercussão. A adoção de uma nova figuração, comprometida com os acontecimentos que estavam na ordem do dia, como o feminismo, a crítica social, e a luta contra a ditadura militar, causou forte impacto pela qualidade de sua estética transgressora e pela inusitada abordagem de seus, também, inusitados temas. Assim, de forma precoce, Claudio Tozzi destacou-se como artista de vanguarda na agitada década de 1960, prestigiado pela crítica e pelo público.
O vanguardismo de suas propostas logo chamou atenção de críticos, como Mário Schenberg, Mário Pedrosa, Frederico Morais, entre outros. Havia enorme empatia de seus temas com a conjuntura daqueles anos, sobretudo, junto a uma juventude engajada nas lutas pela liberdade. É bom que se diga que o significado da palavra liberdade ia muito além das lutas pelas liberdades democráticas – implicava em mudanças significativas no comportamento social. Claudio Tozzi era sensível às mudanças que ocorriam nas artes, mas, sobremaneira, àquelas que ocorriam na sociedade e em particular junto aos jovens.
As suas experiências com a nova figuração despertaram enorme interesse nos meios culturais à época e sua influência não se restringiu ao ambiente das artes plásticas. As propostas de Claudio Tozzi iam ao encontro das inovações que ocorriam nas artes cênicas, no cinema, na fotografia e no design gráfico dos anos 1960.
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Flávio Shiró
by Miguel De Almeida
Part of the Arte de Bolso series
Nascido no Japão, criado no Brasil (entre Pará, São Paulo e Rio de Janeiro) e desabrochado na França (país em que vive há mais de cinqüenta anos), Flavio-Shiró, de onde a vista alcança, é dessas figuras raras, como artista e ser humano. Não é apenas um dos mais catárticos pintores em atividade no país, como é dos poucos a usar a obra para transmitir conceitos sobre arte e idéias acerca dos homens e seu estado de coisas.
Quem observa suas pinturas e desenhos tem diante de si uma obra densa, por vezes incômoda, porque (em algumas fases) repleta de imagens retiradas ao inconsciente, o que resulta em algo perturbador; e quase sempre poética, por conta de uma paleta incandescente (ao clivar tons neutros com cores quentes, como se irisasse seus traços).
É possível ainda ter um outro ponto de observação de sua obra, quando o espectador se mune de um espírito narrativo e o aplica à sua pintura. Saltam desde pastorais, com suas prosódias encantadoras, e seus solos de ingênua candura, como assomam corpos tomados por angústias abissais, atávicas e intransponíveis, dentro de um coro lancinante, próximo aos trovões enunciados por Beethoven.
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Claudia Andujar
Com imagens, glossário e biografia
by Simonetta Persichetti
Part of the Arte de Bolso series
Claudia Andujar faz parte da história da fotografia brasileira. Embora ela não tenha nascido no Brasil, foi aqui, no final dos anos 50, que ela descobriu a fotografia e brasileira foi a nacionalidade que ela escolheu, nos anos 70.
No início, sua vida artística estava voltada para a pintura, a qual ela encontrou em Nova York quando para lá se transferiu, vinda da Suíça, onde nasceu.
Anos mais tarde, ao chegar ao Brasil para visitar a mãe que aqui morava, descobriu a fotografia como uma ferramenta para conhecer o país e conhecer a si mesma. Durante alguns anos perambulou pelo interior, pelo litoral, aventurou-se em países latino-americanos viajando de ônibus, de trem, de barco, sempre sozinha, mas acompanhada por sua câmera.
Foram as fotos que lhe permitiram se comunicar quando ainda não falava o português nem o espanhol. Foi pela e com a fotografia que fez seu primeiro contato com tribos indígenas, por volta de 1958.
Suas imagens transmitem preocupações profundas, sua fotografia fica na fronteira entre o existencial e uma ideologia bem definida. Imagens que nascem do pensamento, da emoção.
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Tomie Otahke
Com imagens, glossário e biografia
by Miguel De Almeida
Part of the Arte de Bolso series
O trabalho de Tomie Ohtake (1913-2015) é um dos grandes exemplos de modernidade inovadora dentro da arte brasileira. Japonesa de nascimento, ela chega ao Brasil no momento em que os petardos da turma de 1922, se por um lado, são absorvidos pela dinâmica da sociedade cultural, por outro, sofrem intenso bombardeio de forças internas ao próprio movimento. Em 1917, a pintora Anita Malfatti tem sua exposição de inspiração modernista desmontada por Monteiro Lobato. Numa crítica hoje célebre, o escritor se mostrava horrorizado com as inovações propostas por aquela estética inovadora. Alguns estudiosos contemporâneos, no entanto, observam que Lobato vocalizava uma reação da sociedade tradicional à miscigenação então em andamento. Em particular, contra o registro do que se escondia atrás da tela O homem amarelo (um japonês amorenado em terras brasileiras). Lembremos que a própria Anita era filha de imigrantes italianos aportados em São Paulo.
Naquele período, a elite procurava construir uma visão sobre si de acordo com a realidade, mas com um projeto ideológico, que perpetuasse o status quo – anacronismo que ocorrerá também noutros países sul-americanos, principalmente Argentina. As ruas diziam outra coisa – identificavam não um cenário europeu, como registrado em obras como as de Eliseu Visconti e Antonio Parreiras, mas um caldeirão onde ferviam diferentes etnias, muitas delas orientais. Pois Tomie Ohtake de certa forma é anunciada, como metáfora, por Anita Malfatti, em "O homem amarelo", ao mostrar em processo não apenas miscigenação, mas integração cultural, entre uma cultura bruta, ainda disforme, em mutação, e uma civilização milenar.
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Rubens Gerchman
Com imagens, glossário e biografia
by Fábio Magalhães
Part of the Arte de Bolso series
Nos últimos anos, Rubens Gerchman dividiu seu tempo entre Rio de Janeiro e São Paulo e manteve ateliês nas duas cidades. Mas o espírito carioca é predominante na linguagem urbana de sua pintura. Ele despontou no início da década de 60, ainda muito jovem, como artista de vanguarda, e em pouco tempo se destacou em nosso meio artístico ao propor uma nova estética, fortemente contaminada pelo cotidiano social. Essa década representou um dos momentos mais fecundos da cultura brasileira de todos os tempos. Nesse período, houve uma explosão de novas linguagens: o cinema novo, a bossa nova e o tropicalismo; também no teatro, com os Centros Populares de Cultura, e nas artes plásticas, com a nova figuração. Foi uma década de grande agitação cultural e política – anos de transgressões e de sonhos socialistas.
Rubens Gerchman participou ativamente e na linha de frente daqueles acontecimentos. Durante todo o período de ditadura, foi um dos protagonistas da resistência contra o arbítrio, a censura e a repressão do regime militar. Conviveu com Lygia Clark, Hélio Oiticica, Amílcar de Castro, Ferreira Gullar Caetano Veloso, Lina Bo Bardi e tantos outros artistas e intelectuais que marcaram aquela época. Além das artes plásticas, seu trabalho abrangeu outras áreas, como cinema, vídeo, instalação, desenho gráfico, poesia e, inclusive, uma transformadora gestão docente no Parque Lage.
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Maria Bonomi
Com imagens, glossário e biografia
by Miguel De Almeida
Part of the Arte de Bolso series
A arte brasileira das últimas décadas acostumou-se à presença crítica e criativa de Maria Bonomi. Seja como gravadora, agitadora ou polemista, Bonomi bisa suas intervenções sempre a partir de um caráter estético e mesmo político, dentro da ideia de que o artista é capaz de interferir − ou melhorar − o meio com sua vida e obra.
Bonomi, assim, navega em duas situações adversas ao temperamento brasileiro − é gravadora e polemista (toma posições). E é mulher.
Sabe-se como no Brasil o incentivo à concórdia é um vício, quase uma disciplina, estimulada desde os bancos escolares, perfazendo algo semelhante a um distintivo moral do país, onde a voz discordante, em solo ou em coro, não atrai imediata simpatia, dado a outro de nossos hábitos: preferir o padronizado ao diferenciado; somos vitimados por nossa intransigência, e desgaste, quando diante do estranho.
E Bonomi é gravadora em um tempo incapaz de compreender o gênero dentro de sua estrita poética, de sua ação múltipla; por estarmos em um tempo ditado pelo econômico, a gravura é percebida como produto de difícil alocação.
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Emanoel Araújo
Com imagens, glossário, biografia
by Miguel De Almeida
Part of the Arte de Bolso series
Desenhista, escultor e gravador, Emanoel Araújo produz uma obra de cepa construtivo-geométrica, com inspiração negra, afro-brasileira: cores fortes e linhas diagonais marcam seus trabalhos. Há nela um caráter totêmico. Algo não usual dentro da tradição geométrica, de sotaque mais racional, expositivo.
Sua gravura desde o início traz essa espécie de sincretismo estético ao expor sem reservas a convivência entre a influência africana, verificada nas linhas retiradas às figuras totêmicas, vindas ou da religião, ou dos rituais festivos, inclusive da guerra, com a explosão de cores básicas, e de sinais gráficos, em princípio, e da contenção geométrica, numa outra etapa.
Nascido em Santo Amaro da Purificação, Bahia, de uma tradicional família de ourives, também aprende marcenaria e linotipia. São ofícios cujas especificidades estarão imbricadas em vários estágios de sua produção, seja em escultura, seja, principalmente, na gravura.
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Renina Katz
Com imagens, glossário e biografia
by Elaine Bittencourt
Part of the Arte de Bolso series
Renina Katz é uma artista mutante. São tantas as vertentes de sua vasta produção que só assim parece ser possível defini-la. Há, porém, ao menos um ponto em comum em toda a sua obra, característica louvada pelos críticos desde o início de sua carreira, que já dura 60 anos: o grande apuro técnico, adquirido numa época em que a ambição de ser artista era acompanhada pelo desejo de uma formação rigorosa, moldada ainda por cânones clássicos.Essa formação rigorosa a artista obteve em sua cidade natal, o Rio de Janeiro, na Escola Nacional de Belas Artes (ENBA), onde ingressou aos 21 anos, em 1947. Na tradicional instituição carioca, ela se dedicou ao aprendizado da pintura e, não raras vezes, saiu pela cidade retratando as belas paisagens da capital fluminense. Não seria, porém, a formação pictórica o que marcaria sua trajetória. A gravura, que nem sequer constava como disciplina da ENBA, tomou-a meio de assalto e tornou-se para sempre seu principal meio de expressão. A pintura e a aquarela ressurgem vez ou outra em sua produção, mas sua identidade artística, desde os anos 1940, foi marcada pelo ofício de gravadora.
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