Um menino do interior de Goiás cantava versos enquanto ajudava a família no plantio e na colheita. Aos dezesseis anos, começou a escrever poemas e a guardá-los na carteira, como quem captura um pedaço do tempo. Vinte anos depois, os textos que ele não queimou viraram este livro.
Quando é o registro de muitos sentimentos e o resultado de um profundo desejo de ligação com Deus e o Universo. É a mistura de vida e poesia, de dor e alegria, de sonho e realidade, de limite e liberdade. Entre a rusticidade e a sensibilidade, entre a razão e a emoção, entre o visto e o imaginário, entre o amor e o rastro do nada, entre o céu e a terra, no coração de um homem comum, foram escritos estes poemas.
Quem procura poesia brasileira contemporânea costuma esbarrar em duas frustrações: versos herméticos que exigem decifração, ou textos rasos que não deixam marca. Este livro fica no ponto entre os dois. A linguagem é direta, próxima da fala, e ainda assim abre imagens raras: o leitor se imagina dentro do ventre de uma estrela, sente a textura da Lua, escuta o som da música suave de quem vive ao mesmo tempo os sonhos de poeta e de cidadão.
São poemas de dedicatória e de despedida, de fé e de dúvida, de amor conjugal e de amor à terra. O cenário é o Cerrado goiano: o céu azul dos dias claros e infinitamente estrelado à noite, os rios, as serras verdes, as matas, a fogueira que estala faíscas de poesia pelo ar. Um universo que o autor conhece de dentro, como filho do campo, professor e bombeiro militar dedicado às operações florestais.
A autoridade aqui não vem de prêmio nenhum. Vem de vinte anos de escrita constante, de quinze anos ensinando Língua Portuguesa e Literatura em sala de aula e de uma formação em Letras que aparece na precisão de cada verso. Nas palavras do próprio autor, este trabalho não espera prêmio algum a não ser o de ser lido.
Leia Quando e receba estes poemas como flores ao vento, pousando diante dos seus olhos.