Resultado de uma tese defendida em 2023, a obra examina a relação entre grupos masculinistas, a chamada "machosfera" e a ascensão da extrema direita. Ao mapear discursos, práticas e redes de ódio, a autora demonstra como a misoginia deixa de ser apenas um comportamento individual para se consolidar como estratégia política organizada, amplificada por redes sociais, desinformação e dinâmicas de radicalização.
O livro também evidencia como essas comunidades produzem uma pedagogia da masculinidade baseada no ressentimento, na violência e na rejeição às transformações sociais promovidas pelos feminismos e pelos avanços em direitos. Ao mesmo tempo, revela o impacto concreto desses discursos na vida das mulheres, tanto no aumento da violência simbólica quanto material.
Com rigor metodológico e sensibilidade analítica, a obra contribui para os estudos de gênero ao investigar não apenas as mulheres, mas também os homens e as construções de masculinidade. Mais do que denunciar, propõe compreender as engrenagens do ódio para enfrentá-las, afirmando que a segurança das mulheres é um elemento central para a democracia.