Este livro analisa as políticas federais de expansão e reestruturação das universidades federais a partir da experiência da Universidade Federal do Piauí, entre 2003 e 2016. Ao discutir a interiorização da educação superior, a implementação do REUNI e seus efeitos institucionais, a obra problematiza a associação imediata entre expansão e democratização do acesso, situando esse processo nas relações entre política educacional, reforma do Estado, desenvolvimento econômico e transformações do trabalho. A expressão "expansão pública, racionalidade privada" sintetiza a contradição central da análise. A UFPI ampliou cursos, vagas, matrículas, campi e estruturas físicas, fortalecendo sua presença no território piauiense. No mesmo movimento, incorporou mecanismos de gestão, avaliação, produtividade e flexibilização curricular vinculados a uma racionalidade gerencial e às exigências de formação de um trabalhador polivalente e flexível. Não se trata de registrar o crescimento da universidade, a obra interroga os sentidos políticos desse processo, seus limites e suas disputas. Ao fazê-lo, contribui para compreender a reestruturação da educação superior pública no Brasil e os desafios colocados à universidade pública nas primeiras décadas do século XXI.