Após um divórcio que o reduz a uma vida mínima, um professor se instala em uma quitinete no centro da cidade e tenta reorganizar sua existência entre livros, memórias e ruínas pessoais. Em "Derrocada", Tiago Ferro constrói um romance intenso e perturbador sobre uma consciência em crise, onde o pensamento não consola - amplifica o mal-estar. Entre referências literárias e reflexões sobre política, universidade e vida contemporânea, o narrador se move em espirais de ideias que revelam um mundo já esgotado de sentido. Nesse movimento, ecoa a influência de Thomas Bernhard, mas deslocada: aqui, a repetição não é apenas crítica corrosiva, e sim sintoma de uma deterioração que já se consumou, sem promessa de reversão. Mas é a irrupção fragmentária de um passado familiar violento que desestabiliza ainda mais esse equilíbrio precário, infiltrando o mal não como exceção, mas como herança. À medida que o íntimo e o histórico se confundem, "Derrocada" expõe as tensões entre lucidez e paralisia, crítica e impotência, pensamento e ação. O pequeno espaço de um apartamento torna-se o cenário de uma investigação radical sobre a experiência contemporânea - onde a queda pode ser também uma forma de ver com clareza. Um romance literário denso e provocador sobre os limites da consciência, da memória e da própria ideia de sentido.
"Derrocada, de Tiago Ferro, nos lembra de como nos fazem falta livros nos quais os personagens caem sem a possibilidade de se levantar ao final.
... Derrocada tece um diálogo com Doutor Fausto e sua maneira de nos levar a paulatinamente deduzir a catástrofe em marcha a partir dos estranhamentos de uma vida ordinária à nossa volta que, até então, parecia inofensiva."