Haroldo de Campos - tradutor e traduzido
Part of the Estudos series
Cada vez mais, a importância da obra e da personalidade de Haroldo de Campos emerge como sendo definitiva para a cultura brasileira contemporânea. Ensaísta, tradutor e poeta, sua influência é percebida com mais intensidade em todo o mundo com o passar do tempo. Seja pela radicalidade das traduções, seja pela sua qualidade criadora ou pela vivacidade dos debates que promovia, a figura de Haroldo toma vulto. Estudiosos e literatos voltam-se para sua obra dando-lhe novas contextualizações e perspectivas, ou debruçam-se sobre a criação de qualquer tempo renovando seu entendimento a partir do olhar renovador do grande poeta brasileiro. Neste livro, o leitor encontrará todos estes Haroldos, radicais, inquietos, geniais, pelas lentes de autores significativos da produção literária atual.
O ciclo do totalitarismo
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Por que os regimes totalitários igualitaristas e anti-igualitaristas têm sido tão proeminentes, mesmo depois dos grandes avanços dos direitos civis e políticos a partir do século XVIII? É impossível pensarmos o século XX sem que nos venham à mente os confl itos ocorridos no seu decurso. Duas conflagrações mundiais, guerras de independência e revoluções imprimiram a ferro e fogo suas marcas na consciência contemporânea. Dentre esses eventos, à parte as grandes guerras, dois se destacam, extrapolando as suas fronteiras: a Revolução de Outubro na Rússia e a Revolução Chinesa. Ambas seriam exemplos, para o autor do presente livro, do que pode ser defi nido como uma inversão do processo de reconhecimento dos direitos civis e políticos que, com seus altos e baixos, avançara progressivamente no decorrer dos séculos XVIII e XIX. A seu ver, neste enfoque original, fascismo e nazismo de um lado, e stalinismo e maoismo de outro, constituíram autênticas regressões históricas.
Homo Ludens
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Homo Ludens é a obra mais importante na filosofia da história em nosso século. Escritor de inteligência aguda e poderosa, ajudado por um dom de expressão e exposição que é muito raro, Huizinga reúne e interpreta um dos elementos fundamentais da cultura humana: o instinto do jogo. Lendo este volume, logo se descobre quão profundamente as realizações na lei, na ciência, na poesia, na guerra, na filosofia e nas artes são nutridas pelo instinto do jogo. [Roger Caillois].
Viver nos tempos da inquisição
by Anita Waingort Novinsky
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'Freud já alertava o futuro para a urgência de conhecer o passado. Hoje, num mundo que assiste ao recrudescimento do antissemitismo, da intolerância e do protecionismo, recuperar a memória dos tempos do Santo Ofício da Inquisição, mais do que necessário, é urgente. Foram quase três séculos de perseguição e atrocidades contra populações convertidas à força, vigiadas, humilhadas e aviltadas. Viver nos Tempos da Inquisição reúne o melhor da produção de Anita Novinsky, uma das principais pesquisadoras e conhecedoras do período da Inquisição em todo o mundo. Uma leitura importante para que estejamos sempre alertas aos ciclos dos acontecimentos históricos, culturais e políticos. '.
As clínicas públicas de Freud
Psicanálise e justiça social
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Vencedor do prêmio Goethe, o livro narra a vibrante história da concepção e implementação das clinicas públicas gratuitas de atendimento psicanalítico nas cidades europeias do entreguerras, derrubando o mito de a psicanálise ser uma atividade burguesa concebida para ricos e demonstrando seu enorme potencial de proteção e socorro como instrumento de saúde pública. Uma lição que emerge essencial neste século XXI, no Brasil, em particular, no cenário de grande fragmentação e vulnerabilidade sociais, exigindo pela via da pesquisa histórica e de sua conexão com grupos de atuação pública voltados a essas populações a responsabilidade ética de pensar e agir solidariamente.
A sombra de outubro
A Revolução Russa e o espectro dos sovietes
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Muito se tem debatido acerca da Revolução de 1917, da ascensão e queda do socialismo soviético, do triunfo dos mercados e da adesão dos governos comunistas à lógica capitalista. Porém, o problema de fundo da esquerda em todo o mundo continua a ser o mito bolchevique, a ideia de que a verdadeira Revolução é aquela de outubro, com sua práxis autoritária, e tudo que isso implica ao se fazer dela a medida pela qual todas as ações políticas de mudança têm de ser mensuradas. Qual o significado, hoje, de Outubro? Christian Laval e Pierre Dardot procedem a uma revisão crítica desse evento tão mitificado e mal compreendido, evidenciando como o bolchevismo traiu os sovietes da Revolução de Fevereiro: em lugar da auto-organização popular, o culto ao Estado e a seu líder e a luta pelo poder a todo custo e sua manutenção. Laval e Dardot tomam como contraponto a isso a Revolução Mexicana que seguia outro caminho, influenciada pelo anarquismo e, como modelo ilustrativo da forma de atuação bolchevique, a Guerra Civil Espanhola e seu conflito interno entre os antifascistas libertários e stalinistas. A partir dessa perspectiva, os autores defendem uma nova política comum que, vinculada a outras experiências revolucionárias, seja capaz de concretizar democraticamente o autogoverno, dissipando de uma vez por todas a Sombra de Outubro.
Rodas Negras
Capoeira, Samba, Teatro e Identidade Nacional (1930-1960)
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Impossível registrar os incontáveis agentes anônimos que contribuíram das mais diversas formas para a preservação e transformação por que passaram as diversas práticas da cultura afro-brasileira, assim como para a transformação da imagem e identidade do Brasil ao longo do século XX. Filhos de santo, empregadas domésticas, balconistas, cozinheiros… desempregados, ritmistas, enfim, pessoas que possuíam em comum o fato de serem negros, pobres e sonhadores. Era esse o mesmo perfil dos populares que compunham o elenco dos espetáculos do Teatro Experimental do Negro, os shows de Carlos Machado, o grupo Oxumaré, ou as rodas de capoeira das festas de largo, na Bahia, o bumba meu boi, na periferia de São Luís, o samba de roda, do recôncavo baiano, o maculelê, em Santo Amaro da Purificação. A construção de símbolos nacionais não é resultado de uma mera escolha e imposição das elites, do Estado, do capitalismo. Não é produto de mera "apropriação cultural". Pelo contrário, o caso brasileiro é mais um exemplo de que se trata de uma complexa disputa ou de uma verdadeira guerra cultural travada entre diversos segmentos sociais em torno de práticas geralmente locais e originárias de/ou associadas a grupos étnicos.
Seu paciente favorito
17 histórias extraordinárias de psicanalistas
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Um argumento simples resulta um livro extraordinário. Qual caso clínico teve impacto transformador no seu entendimento ou na sua prática da psicanálise? Posta a questão para dezessete psicanalistas de prestígio na França, a jornalista Violaine de Montclos descortina em histórias curtas e densas, o alcance, a coerência e a intensidade das relações psicanalista-paciente e a atualidade do saber psicanalítico. Este livro, como a psicanálise, é produto da arte do encontro. Um encontro, pôr-se frente a frente a um outro, é sempre um ponto de partida. Ainda mais quando se dá entre analista e analisando. Aqui, dezessete renomados e experientes psicanalistas franceses expõem e mostram o poder que os encontros têm de encetar transformações nas vidas dos que se encontram. Aqui, não se trata apenas de desvelar os traumas de infância ou os abusos, de superar a infertilidade e o crime, de escapar a armadilhas autoimpostas, mas sobretudo de revelar a fragilidade demasiado humana do analista, como o guia que percebe que o caminho que tem à frente é, também para ele, desconhecido. Há transferência, claro, nessa relação. Mas há também espelhamento, reflexos, reflexão. Há, ainda, um terceiro lado nestas narrativas, um segundo encontro paralelo, o da jornalista com os terapeutas, com cada um dos que descrevem para ela o Seu Paciente Favorito, aquele que o fez um outro analista e, por vezes, outra pessoa. Violaine de Montclos inverte assim o fluxo usual de palavras no consultório e, hábil narradora, transforma essas (in)confidências em momentos de reflexão também para quem as lê.
O Massacre dos Libertos
Sobre raça e República no Brasil (1888-1889)
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A História é sempre o resultado de uma escolha. Iluminam-se certos episódios, nublam-se outros, há sempre um presente para se sustentar com os fatos do passado. O futuro porém, está irremediavelmente associado ao passado, que precisa ser revisto e reexplorado para que caminhemos adiante. O Massacre dos Libertos recupera aos brasileiros a violência histórica do racismo e da escravidão no Brasil a partir de dois fatos seminais: a Abolição da Escravatura e a Proclamação da República. E narra o massacre de negros que protestavam em São Luiz do Maranhão temendo que a República recém-constituída lhes retirasse a liberdade recém-conquistada. A partir desse epísódio, o texto traça um panorama das reações racistas que se formavam e se incorporavam às estratégias dos senhores brancos para perpetuar o preconceito e a marginalização da população branca pelo mito da "fraternidade racial". No dia 17 de novembro de 1889, a cidade de São Luís acordou agitada. Ninguém sabia o que pensar das últimas notícias, vindas do Rio de Janeiro, que informavam o fim do longo reinado da Monarquia brasileira. […] Na manhã seguinte, apenas o jornal republicano O Globo havia noticiado o fato, por meio da publicação de um telegrama recebido pelo editor do periódico […]. Não fazia muito tempo que a capital do Maranhão fora tomada por festas e cortejos de negros, populares, estudantes e políticos, em homenagem à abolição definitiva da escravatura – o 13 de Maio de 1888, que tinha alterado toda a estrutura econômica e social do Brasil. […] Nessa conjuntura de desorganização institucional que teve lugar o chamado Massacre de 17 de Novembro. Uma multidão de pessoas, descritas como "libertos", "homens de cor", "cidadãos do 13 de Maio" e "ex-escravos" saiu às ruas numa grande passeata, em protesto contra as notícias da proclamação da República. Na visão dos manifestantes, o novo regime vinha para restaurar a escravidão no país.
Machado & Shakespeare
Intertextualidades
by Adriana Da Costa Teles
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Dizer que Machado de Assis é um clássico de nossa literatura constitui atualmente um truísmo quase despido de sua essência significativa. Porém, na verdade, só esse termo pode transmitir a abrangência de sua obra e sua relação com a literatura universal. Esse fato foi particularmente acentuado pelas pesquisas e pela crítica modernas, sobretudo no século XX, com destaque, cabe notar, aos trabalhos de Eugênio Gomes, passando pelo revelador enfoque que Helen Caldwell fez de Dom Casmurro como o Otelo tupiniquim. A revisão contemporânea percebeu que Shakespeare é, dentre os chamados clássicos, uma das ocorrências mais constantes no texto machadiano e, em nossos dias, a detecção crítica da presença do genial dramaturgo inglês na obra do nosso escritor princeps só faz avolumar-se. É o que torna tanto mais significativa e importante a contribuição de Adriana da Costa Teles neste Machado e Shakespeare: Intertextualidades, que a editora Perspectiva publica em sua coleção Estudos. Ampliando uma investigação acadêmica existente e perscrutando as aparições, diretas ou subliminares, do bardo seiscentista na pena do bruxo oitocentista do Cosme Velho, compõe a autora um volume que, por sua qualidade, se torna referência, não só por catalogar palavras idas e vividas que, de novo e sempre, interrogam o leitor e agitam o seu espírito, como por dissecar a relação intelectual desses dois vivisseccionistas das nossas mazelas de ontem, hoje e sempre.
A imagem no ensino da arte
Part of the Estudos series
Na primeira edição de A Imagem no Ensino da Arte, Ana Mae Barbosa, ao tratar da questão do aprendizado da história da arte nos esclarece Imanol Aguirre Arriaga, em seu arguto prefácio a esta edição , já fazia valer a necessidade de um relato que abrisse espaço à contextualização econômica, política e social, contrapondo-se a uma concepção linear da história interessada apenas na evolução das formas artísticas através do tempo. O objetivo de sua proposta era formar o critério dos espectadores, neste caso das crianças, a fim de propiciar-lhes a compreensão dos códigos regentes, aos quais só uma elite cultural e social tinha acesso. A Proposta Triangular surgia assim, no panorama da educação brasileira como uma trama bem definida, que ao longo dos anos seria revista e polida, quer pelas circunstâncias, quer pela própria experiência. O pensamento de Ana Mae Barbosa é tão sugestivo quanto inovador, na medida em que rompe com os modos formalistas e filolinguísticos imperantes na época. Desde logo, era possível divisar em sua proposta a disposição para conectar-se com outras visões, igualmente propensas à ideia de 'obra aberta' e, por aí, expandir-se no sentido de uma semiótica cultural da leitura da arte, cujo nexo se faz perceptível sob o prisma da educação, concebida com o ensejo de libertação dos extratos menos favorecidos, convertendo-se, assim, em poderoso fator operativo da alfabetização cultural. Deste modo, o que podia ficar relegado à condição de uma atividade a mais, como era então usual em uma concepção disciplinar da educação artística, transpôs as fronteiras endogâmicas das artes e se colocou a serviço de uma pedagogia inclusiva e libertadora. Tais são os aspectos que tornam A Imagem no Ensino da Arte, nesta nova edição, revista pela autora, referência obrigatória para quem dedica sua reflexão aos problemas da educação no Brasil de hoje e para quem aplica o seu trabalho neste campo.
O Ator-Compositor
As Ações Físicas como Eixo: De Stanislávski a Barba
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Como pensar em "composição" no trabalho do ator? Eis o ponto de partida deste importante estudo realizado em O Ator-Compositor, por Matteo Bonfitto, que vem integrar a rica e diversificada bibliografia teatral publicada pela Editora Perspectiva nas suas diversas coleções. Apesar de numerosas pesquisas sobre a atuação empreendidas por grandes nomes do teatro ocidental do século XX, a "interpretação de si mesmo" continua sendo até hoje uma prática que se faz presente no processo criativo do comediante e se define como uma espécie de forma congenial ou estilo inerente. Com base nesse fato e conduzido pela idéia de que o teatro é, sobretudo, um exercício de arte objetivado com deliberação no corpo do intérprete, a pesquisa aqui projetada "rastreia" nas práticas artísticas os elementos essenciais que, em conjunto com a investigação sistemática, levaram ao desenvolvimento de diferentes métodos de construção e plasmação da obra de auto-incorporação do autor-objeto.
Natya
Teatro Clássico da Índia
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Em Natya, um pouco da complexidade da sociedade indiana é revelada ao leitor, pelas lentes de uma de suas mais encantadoras manifestações culturais, o seu teatro-dança clássico. O autor explica e destrincha os ritos e segredos desse teatro, sua exuberância e riqueza, a relevância simbólica de gestos, tramas, cores e luzes, sem descuidar de apontar algumas das muitas contradições de uma sociedade de castas desigual, rígida e sexista. O livro é uma janela por onde podemos observar e sentir um pouco dos mistérios e do fascínio de uma sociedade milenar.
Natya: Teatro Clássico da Índia é um olhar apaixonado e profundo sobre as tradições e os desafios de uma cultura milenar, vistos por um de seus grandes especialistas entre nós. Almir Ribeiro nos faz uma vigorosa e amorosa introdução às artes e ao sagrado da Índia, de seus textos clássicos até seus principais expoentes na atualidade. Começa por abordar a tradição cultural da dança épica, os textos fundadores e mitos, o contexto atual, sem se esquivar dos renitentes problemas sociais que também se manifestam na esfera das artes, como a rigidez hierárquica das castas e o sexismo, sempre com base em sua profunda experiência pessoal. Depois, analisa a relação do teatro hindu com o Ocidente, sua recepção e a influência exercida em personagens fundamentais como Gordon Craig, Richard Schechner e Peter Brook. Aqui, as distintas facetas da experiência pessoal e da tradição cultural se aglutinam para compor uma obra que ultrapassa sua especificidade e nos aproxima de uma rica e viva cultura.
A coleção Estudos propõe-se a publicar ensaios críticos e pesquisas tratados em profundidade, com sólida argumentação teórica nos mais variados campos do conhecimento. A coleção forma, junto com a Debates, a marca de identificação da editora em nosso mercado.
Psicologia da Colonização
Part of the Estudos series
Obra clássica, a primeira que enfrenta os efeitos perversos da colonização nas populações invadidas, num projeto de "avançar no domínio obscuro e impreciso da psicologia inter-racial", e visionária ao prever os efeitos duradouros e potencialmente traumáticos que adviriam desse processo, mesmo depois da independência desses territórios, afetando colonizados e colonizadores e contaminando profundamente as relações tanto interpessoais quanto internacionais. Não por acaso, tornou-se obra de referência para os estudos pós-coloniais. Por seu estilo direto, sensível (Mannoni viveu muitos anos como professor em Madagascar, convivendo no ambiente de revolta dos locais contra os colonizadores franceses) e honesto, Psicologia da Colonização é um livro de difícil classificação, reunindo elementos etnográficos, psicológicos, pessoais e críticos. Mesmo tendo sido muito combatido, com críticos contundentes como Aimé Césaire e Frantz Fanon, seu caráter pioneiro, a coragem de abordar a questão racial e a denúncia da violência colonial colocaram – e colocam -- o livro como um elemento centro de um dos debates mais importantes dos tempos atuais.
A morte social dos rios
Part of the Estudos series
O tempo encarregou-se de comprovar os acertos e a agudeza do trabalho de Mauro Leonel, que há vinte anos já demonstrava que a questão ambiental e a econômica eram complementares e exigiam uma resposta inovadora. A primeira década este século trouxe, de fato avanços, mas nos últimos dez anos as tensões sociais e econômicas vem se agravando ano a ano com o abandono da pauta preservacionista e o reavivamento de políticas extrativistas e de ataques às florestas. Nessa nova edição, Leonel dirige sua pena contra a irresponsabilidade de um governo que opõe de maneira mais do que suspeita o desenvolvimento econômico à preservação responsável do ambiente natural. O resultado é conhecido: ruptura, pobreza e desigualdade social. A edição de A Morte Social dos Rios já em sua primeira edição tornou-se um marco ao romper o consenso superficial existente no discurso ambientalista em torno de ideias como a de um desenvolvimento sustentável que beneficiaria todo mundo ou das consequências da devastação e da poluição que prejudicariam a todos. Ela mostrava que, longe disso, perdedores e vencedores desse embate tinham identidade e condição social bem definidas. Duas décadas depois, testemunhamos grandes avanços nos aspectos legais, econômicos, sociopolíticos de nossa relação com o ambiente. Nos últimos anos, porém, a hostilidade reacionária mascarada de discurso em favor do crescimento econômico equipara ciência e preocupação ambiental a entraves ao desenvolvimento e despreza toda a experiência recém-adquirida por nossas sociedades em como progredir e preservar. Daí a importância de republicar esta obra em nova edição atualizada e ampliada, em que Mauro Leonel, contextualizando com rigor e clareza o problema socioambiental entre nós, continua, de maneira brilhante, a fazer jus à máxima de Pierre Bordieu de que é da natureza social a luta permanente para dizer o que é social.
O Método Marlow
Estudos Indisciplinares Em Psicanálise
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Uma coleção cativante de artigos perspicazes que conectam a psicanálise, as artes, a cultura e a sociedade em geral de forma crítica e original. O Método Marlow desvenda as ligações ocultas entre a criatividade, o inconsciente e nossa capacidade de sonhar de olhos abertos, oferecendo novas perspectivas sobre como esses aspectos da vida se iluminam mutuamente.
Pensador com associações inesperadas e psicanalista conhecido pelos seus insights, Leopold Nosek, tem um olhar aguçado para os significados e desafios que as artes plásticas, a literatura e as ciências nos propõem. Nesta coletânea de ensaios, conferências e entrevistas, cada aspecto da vida e da cultura abordado traz o olhar inquisitivo do autor lapidado com boa prosa. Produto de uma mente inquieta para mentes curiosas, o volume transforma ideias complexas em escrita envolvente e acessível. Leitura obrigatória para qualquer pessoa fascinada pela interação entre pensamento humano, imaginação e descoberta.
Ensino da arte: memória e história
Part of the Estudos series
Num percurso que vinha do aprofundamento de pesquisa universitária referente à década de 1990 e no calor dos debates que tensionavam modernismo e pós-modernismo na área da arte/educação, Ana Mae Barbosa percebeu que não havia estudos consistentes e específicos sobre o período de 1930 a 1948, fundamentais para a formação, o entendimento e a consolidação da disciplina, o que a levou a organizar uma série de pesquisas e lançar luzes sobre essa época de construção de ideais e metodologias modernistas. Desta maneira, Ensino da Arte: Memória e História, que a editora Perspectiva traz a público em sua coleção Estudos, já nasce como obra de referência histórica, teórica e política para a compreensão dessa trajetória peculiar, que resulta de um longo engajamento da organizadora na atualização do processo educativo brasileiro e do esforço de pesquisa dos seus colaboradores neste painel. O livro é um convite à descoberta de um período não muito conhecido e que, a um país tão sem memória, é mister desvelar. Nele, figuram o movimento da Escola Nova, os combates e a resistência contra duas ditaduras e seus impactos, bem como o envolvimento de grandes protagonistas do modernismo, caso de Mario de Andrade, Anita Malfatti e Theodoro Braga, e, ainda, a presença de pioneiros da arte/educação no âmbito de sua implantação e aplicação em nossas instituições de ensino. a.sousa e s.k.
Criatividade Coletiva
Arte e Educação no Século XXI
Part of the Estudos series
A abordagem pedagógica da arte já não pode deixar de considerar as questões relevantes de um mundo em grande transformação social. Entra em pauta, assim, a arte contemporânea, com signos e discursos próprios, com uma linguagem e discurso que chamam para um entendimento mais coletivo ou menos individualista das coisas. Passam a interessar os sentidos, a percepção do outro, as origens, os lugares de fala, a apreensão do espaço. A formação da criança passa a ter uma atenção mais voltada ao coletivo, ao grupo, do que a si mesmo. COM TEXTOS DE: Adolfo Albán Achinte Ana Mae Barbosa Annelise Nani da Fonseca Bernard Darras Enid Zimmerman Daniel X. Harris John Steers Malcolm Ross Marie-Françoise Chavanne Ning Luo Vanessa Raquel Lambert de Souza
É preciso salvar os direitos humanos
by José Augusto Lindgren Alves
Part of the Estudos series
De utopia universalista no final do século XX a alvo de preconceito do cidadão comum e do escárnio dos que os vilipendiam como 'direito de bandido' nas primeiras décadas do século XXI, os direitos humanos se encontram atualmente numa encruzilhada de incompreensões: à esquerda do espectro político, os defensores ferrenhos de um multiculturalismo essencialista de extração anglo-saxã os subordinam, em nome da 'tolerância', aos 'direitos das culturas' ou 'das minorias'. À direita, os sempre adeptos da necessidade de uma doutrina qualquer de segurança nacional para nos proteger de nossos inimigos reais ou inventados, internos e externos - os subversivos de ontem, os terroristas de hoje -, preconizam o combate à violência de origem política ou criminosa por meio de uma ainda maior violência sancionada pelo Estado. Daí ser mais do que oportuna a publicação pela editora Perspectiva deste ponderado, fundamentado e refletido apelo, é preciso salvar os direitos, que é também uma advertência do notável especialista e ativista, o diplomata brasileiro José Augusto Lindgren-Alves. É Preciso Salvar Os Direitos Humanos! merece e precisa ser lido e discutido por todos que precisam e merecem um país e um mundo mais justo e digno, e que percebem que sem a garantia de um mínimo denominador comum de nossa dignidade como pessoa, em qualquer lugar e a todo tempo, não nos tornamos nem mais livres nem mais seguros, e sim mais pobres, mais selvagens, menos direitos e menos humanos.
A Escritura pela Rasura
A Crítica Genética em Busca de Outros Saberes
Part of the Estudos series
Ao lidar com o texto literário editado e publicado confrontado com anotações, marcas e rabiscos e o processo de construção do texto, a crítica genética descortina o processo de criação em sua profundidade. Tal ciência, tendo avançado e ganhado musculatura com uma metodologia bem estruturada, não é de estranhar que passa a ser aplicada a outras formas de saber e de linguagem que envolvam algum processo de criação. Este livro trata de demonstrar as possibilidades de se esmiuçar os processos criativos de vária áreas do conhecimento humano para além da literatura, em busca da lógica que estrutura a construção do saber nas sociedades humanas. QUARTA-CAPA A crítica genética nasceu da curiosidade em se saber como um determinado texto escrito é gerado, gestado, desde seus primeiros rascunhos, passando pelo diálogo entre o autor e possíveis interlocutores que de alguma forma possam tê-lo impactado na construção de sua obra. Hoje, no entanto, sua abordagem, seu método, pode ser aplicável a um sem-número de produtos culturais, como seria de se esperar numa era digital: qualquer processo criativo pode ser objeto de estudo. Se sua aplicabilidade invade outros campos, nada mais necessário do que estabelecer diálogo com outros saberes. A Escritura Pela Rasura: A Crítica Genética em Busca de Outros Saberes traduz com desembaraço esse espraiamento, ao aproximar Proust e Einstein, psicanálise e inteligência artificial, as novas mídias, os algoritmos e os velhos manuscritos, a música, a antropologia e a filosofia de Vilém Flusser na saudável inquietação de repensar significantes e significados. COLEÇÃO ESTUDOS A coleção Estudos propõe-se a publicar ensaios críticos e pesquisas tratados em profundidade, com sólida argumentação teórica nos mais variados campos do conhecimento. A coleção forma, junto com a Debates, a marca de identificação da editora em nosso mercado. DA CAPA Imagem da capa: detalhe de Cy Twombly, sem título, 1957. Coleção Berardo, Centro Cultural de Belém, Lisboa.
Verdade e sofrimento
psicanálise, ciência e a produção de sintomas
Part of the Estudos series
A partir de conceitos das obras do filósofo da ciência Ian Hacking e do psicanalista Jacques Lacan, o livro busca situar a verdade como um conceito-limite, que ao ser pensado questiona noções estabelecidas da produção do conhecimento, assim como instala a psicanálise como um estilo de raciocínio, com objetos e parâmetros próprios em constante diálogo com outros modos de pensar.
Esta obra, Verdade e Sofrimento, ressitua e requalifica o debate sobre o que é ciência, sua compreensão e extensão, sua natureza, pertinência e formas e processos de validação.
O corpo erótico das palavras
Part of the Estudos series
A voz de um certo tipo de virilidade, em colapso, diante de um feminino ao qual busca intensa e violentamente subjugar e a impossibilidade da verdade diante das infinitas vertentes da palavra são elementos-chave que a escritura de Raduan Nassar encena. Daí a vertigem, a desmedida e o excesso inerentes ao erotismo marcante em sua prosa.
Em constante diálogo com os – infelizmente poucos, diga-se – intérpretes dessa obra e com os textos que, oriundos da tradição ou contemporâneos, nela são entretecidos por uma poética sinuosa e insinuante, Estevão Azevedo, com a perícia e a arte de um virtuose que interpreta um clássico, toma esse erotismo como fio condutor que ele desenovela para revelar a nudez das questões humanas ocultas "sob a máscara da linguagem e o disfarce do cinismo" e que têm como cerne a necessidade de controle – do corpo, das palavras, da voz que narra.
Nordeste 1817
Estruturas e Argumentos
Part of the Estudos series
Cinquenta anos depois de seu surgimento, quando revelava um ainda jovem e promissor historiador, Nordeste 1817 mostrava-se um estudo surpreendente e inovador em sua construção, recuperando um dos mais notáveis episódios do Brasil Colonial, a Revolução Pernambucana, e dando-lhe uma dimensão nacional, com um potencial de transformação muito maior do que a história oficial até então estaria disposta a lhe proporcionar. Hoje, essa obra em particular é tida como um clássico da historiografia brasileira, rompedora de paradigmas, tendo permitido aos brasileiros pensar sua história em seus próprios termos. A parceria com a Edições Sesc coloca o livro dentro das celebrações do bicentenário de nossa independência, no projeto Diversos 22: Projetos, Memórias, Conexões, numa chave de abordagens críticas, como devem ser analisados os eventos e contextos de qualquer nação.
Os limites da interpretação
Part of the Estudos series
Conhecido por haver revolucionado a semiologia com Obra Aberta, em que propunha a primazia da interpretação, Umberto Eco, nestes ensaios escritos entre 1985 e 1990, agora defende os diretos do texto: "dizer que um texto é potencialmente sem fim não significa que todo ato de interpretação possa ter um final feliz". Mais do que uma reviravolta no conjunto de obras que a Editora Perspectiva vem publicando sistematicamente, a aceitação de um novo desafio: descobrir quais os limites da interpretação.
Psicanálise Na Ditadura (1964-1985)
História, Clínica E Política
Part of the Estudos series
Com a infiltração do conceito de "guerra psicológica", usual entre militares, no campo psicanalítico e a cooptação de profissionais e associações psicanalistas pela ditadura militar brasileira, a psicanálise brasileira se descaracteriza, paradoxalmente durante sua fase de disseminação, quando se consolidam tanto as múltiplas correntes dos movimentos psicanalíticos como uma literatura crítica, e o IPA (Associação Internacional de Psicanálise, na sigla em inglês) alcança sua hegemonia no Brasil. Rafael Alves Lima, em pesquisa minuciosa de fontes primárias e testemunhais, mostra que a ditadura brasileira imps aos movimentos psicanalíticos um processo contraditório de consolidação e expansão no país, cujo histórico de distorções de fronteiras entre espaços civis e militares gerou colaborações e resistências, como provam os arquivos. O objetivo do livro é reconstituir o papel desempenhado pela psicanálise no Brasil durante o período ditatorial entre 1964 e 1985, com base em pesquisa nos arquivos , desde a aliança de ocasião do autoritarismo militar com setores liberais da sociedade civil, passando pelo endurecimento do regime nos últimos anos da década de 1960 e início da de 1970, até o período da abertura política nos anos 1980. O autor analisa crítica e factualmente como se portaram os movimentos psicanalíticos frente às injunções da ditadura. Pela qualidade dos arquivos, se chega a uma compreensão da política do segredo na história da psicanálise que se transforma em uma espécie de silenciamento sobre o passado. Agora, algumas vozes começam a ser ouvidas.
Da Arte à Morte
Itinerário psicanalítico
Part of the Estudos series
Para o psicanalista atento e visceral, cada encontro é uma possibilidade de descoberta. Foi assim que Michel de M'Uzan passou a lidar clinica e reflexivamente os processos de criação criativo e a desenvolver noções como as de "quimera psicológica" e "choque" ou "escândalo" identitário, a partir dos encontros de pacientes com seus inconscientes. Observador radical, percebeu que esse mesmo processo ocorria em igual medida quando a pessoa sabia que estava morrendo, exigindo dela o que chamau de "trabalho de falecimento", outro de seus conceitos-chave. Estruturada em textos curtos e relatos de sessões, Da Arte à Morte é um livro para ler e reler. Um livro de encontros: do artista com sua obra; do analista e seu analisando; de cada um de nós com a própria verdade.
Mimesis: A Representação da Realidade na Literatura Ocidental
Part of the Estudos series
A edição brasileira de Mimesis, a obra monumental de Erich Auerbach, referência absoluta para os estudos literários e literatura comparada, completa cinquenta anos de sua primeira publicação. O ensaio permanece vivo em seu campo, ajudando a formar multidões de pensadores, não obstante as profundas mudanças pelas quais o mundo atravessou nesse tempo e o aparecimento de grandes teóricos da crítica literária. Mimesis encanta pela abrangência da análise, seja pelo vasto período de tempo, seja pela multiplicidade de obras e estilos que traz, que lhe dá, nas palavras de Manuel da Costa Pinto, um "sentido épico […] – nada menos do que um afresco da civilização ocidental por meio de suas obras mais representativas". Mimesis é obra de um homem que perde sua pátria e é obrigado a se exilar e se isolar. Em terra estranha, nas margens de uma Europa conflagrada pela Segunda Guerra Mundial, Erich Auerbach, sem um futuro à sua frente, para seguir vivendo agarra-se àquilo a que dedicou a vida, a literatura – que naquele momento ardia em fogueiras imensas em sua Berlim natal. Em seu espírito descortina-se uma nova perspectiva, que ele quer compartilhar: a da representação da realidade na literatura ocidental. Como ele próprio afirma, o que aqui se apresenta é uma visão, jamais uma teoria fechada. Auerbach seleciona seus locais aprazíveis e não por acaso começa com Homero e a Bíblia, os dois pilares do Ocidente europeu. Dali até o farol de Virginia Woolf será uma longa, insólita e, como o tempo o provou, inesquecível jornada, de abrangência inaudita, da qual cada capítulo deste livro é um instantâneo, um recorte. O mundo que originou esta obra já não existe mais. Aquela guerra também acabou, ainda que suas palavras de ordem continuem encantando seguidores, inclusive hoje. Mimesis também permanece – vital como no tempo em que foi escrito, resiliente como o leitor de todos os tempos e quadrantes –, reerguendo-se das cinzas da ignorância sempre mais uma vez, pois como afirma Edward W. Said, "seu exemplo humanista permanece imorredouro".
A Representação da criança na literatura infantojuvenil
Rémi, Pinóquio e Peter Pan
Part of the Estudos series
Se existe um campo que faz por merecer a atenção da pesquisa no Brasil, é o da literatura infantil. Não nos faltam autores, editores ou livreiros oferecendo ao pequeno (e grande) leitor uma vasta gama de títulos importantes com grande qualidade editorial. Mas a literatura crítica desse gênero ainda não recebe o destaque que merece.
A REPRESENTAÇÃO DA CRIANÇA NA LITERATURA INFANTOJUVENIL: RÉMI, PINÓQUIO E PETER PAN, porém, pode estar inaugurando um novo momento na área. Pois o livro de Isabel Lopes Coelho é um exemplo de maturidade da crítica de literatura infantil entre nós, como bem destaca João Luís Ceccantini em seu prefácio. De cada um dos três clássicos do gênero, Coelho "pinça um excerto meticulosamente selecionado por seu potencial metonímico", analisando-os "num estilo elegante e cheio de vida", muito bem fundamentado na fortuna crítica internacional. Dessa composição de vozes, as três obras, e a literatura infantil como um todo, emergem ressignificadas, e o leitor adulto vai finalmente ser apresentado a essa criança que não é uma personagem plana, criada com propósitos edificantes, mas sim sujeito de sua(s) própria(s) história(s), em seus próprios termos.
Além da Commedia Dell´árte
A Aventura em um Barracão de Máscaras
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Tradição secular e linguagem contemporânea juntam-se e misturam-se no trabalho do Barracão Teatro sobre máscaras teatrais ocidentais. A pesquisadora Tiche Vianna, cofundadora do grupo, revela aqui os segredos da Commedia Dell'Arte, a importância, as possibilidades e a metodologia do uso de máscaras na dramaturgia contemporânea. QUARTA-CAPA Surgida na Itália renascentista e tendo posteriormente ganhado prestígio no mundo inteiro a partir de sua grande popularidade na França, a Commedia dell'Arte influenciou desde o Carnaval de rua até o teatro mais erudito. Das suas marcas registradas, uma é o improviso, a outra, o uso de máscaras. Tiche Vianna aborda aqui seu encontro com o gênero e suas características fundamentais. Uma das principais pesquisadoras do país na linguagem da máscara no teatro, ela não apenas apresenta o trabalho de criação no Barracão Teatro, de Campinas, do qual é cofundadora, como também desenvolve aspectos que se tornaram referência para a utilização das máscaras por atrizes e atores, constituindo uma verdadeira pedagogia da cena, muito Além da Commedia dell'Arte. COLEÇÃO ESTUDOS A coleção Estudos propõe-se a publicar ensaios críticos e pesquisas tratados em profundidade, com sólida argumentação teórica nos mais variados campos do conhecimento. A coleção forma, junto com a Debates, a marca de identificação da editora em nosso mercado. DA CAPA Imagem da capa: Cena de Diário Baldio, mostrando Cotoco, atuação e máscara em papelagem de Esio Magalhães, e Lady, atuação e máscara em papelagem de Gabriel Bodstein.
O Jeito Yanomami de Pendurar Redes
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O Jeito Yanomami de Pendurar Redes traz ao leitor uma etnografia da arquitetura yanomami do Marauiá. Descreve e analisa a concepção de um habitar, seus meios de construção, a tipologia das suas moradas físicas e espirituais. Uma concepção de "arquitetura" impregnada da cultura e cosmologia do grupo, mostrando uma intensa vida comunitária impregnada de espiritualidade e tradições. Faz-nos ver uma outra visão do que sejam as noções de espaço, de materialidade e de habitação dos povos Yanomami da região, ainda que sob a capa de uma rubrica diretamente associada aos pressupostos civilizatórios ocidentais. Vemos os acampamentos temporários, as casas-aldeia nas clareiras domésticas, as casas-montanha habitadas pelos espíritos e também as casas de espíritos construídas no peito dos pajés durante as iniciações xamânicas. E mostra como esse povo resiste ao eterno embate em torno dos seus direitos à terra. Por seu intermédio, acompanhamos os movimentos de agregação e de desagregação dos grupos e das moradas; os regimes de transformação das casas e dos corpos; os sentidos míticos e xamânicos em torno das categorias do perecível e do imperecível, adentrando em um modo de existência radicalmente oposto ao da exploração da terra causada pela civilização industrial que, cada vez mais, nos destina ao colapso.
Antiliteratura
A Política e Os Limites Da Representação No Brasil e Argentina Modernos
by Adam Joseph Shellhorse
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Antiliteratura repensa o que significa o termo "literatura" hoje. Examinando formas-chave da escrita experimental desde a década de 1920 na América Latina, Adam Joseph Shellhorse revela a força da literatura como o local da reflexão e reação radical às condições culturais e políticas contemporâneas. Sua análise dialoga com a obra de escritores como Clarice Lispector, Oswald de Andrade, os poetas concretistas brasileiros (Haroldo e Augusto de Campos e Décio Pignatari), Osman Lins e o argentino David Viñas, para desenvolver uma teoria que coloca o feminino, o multimídia e o subalterno como centrais para o desmontar do que significa "literatura". Ao colocar as antiliteraturas brasileira e argentina no cerne de uma nova forma de pensar a área, o livro desafia as discussões prevalecentes sobre a projeção histórica e a força crítica da literatura latino-americana. Examinando uma gama diversificada de textos e mídias que incluem artes visuais, poesia concreta, roteiros de filmes, cultura pop, narrativa neobarroca e outros que desafiam o gênero, o livro delineia o potencial subversivo dos modos antiliterários de escrita, ao mesmo tempo que envolve debates atuais nos estudos latino-americanos sobre subalternidade, escrita feminina, pós-hegemonia, concretismo, afeto, marranismo e política da estética. Assim, Shellhorse propõe um novo método de leitura que se ocupa das qualidades marginais e subalternas do texto literário e o coloca num diálogo urgente com os conceitos mais atuais provenientes da filosofia e da teoria crítica atual.
Teoria feminista
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Crítica e propositiva, bell hooks defende uma revolução feminista que transcenda reformas, com enfrentamento das ideologias do sexismo, do racismo e do capitalismo, entre outras. Defender o feminismo é não admitir qualquer tipo de opressão sobre (ou entre) mulheres. É considerar homens como potenciais opressores, mas também potenciais camaradas na luta. Em linguagem acessível, a autora faz críticas aos problemas ainda atuais do feminismo, que costuma ser branco, de classe média, acadêmico, heteronormativo e desigual. Em contrapartida, propõe a revolução feminista idealizada por mulheres negras. Diferentes mulheres, provenientes do centro e das margens, em solidariedade política, com a parceria de homens, tendo como foco a ressignificação das relações. A revolução feminista negra é uma luta por libertação, de todxs. Obra basilar do feminismo negro que, ao abordar os processos de opressão das mulheres negras, das mulheres situadas na margem, dá sentido à centralidade da luta feminista, ao enfrentamento do racismo patriarcal heteronormativo. Feminismo é um compromisso ético, político, teórico e prático com a transformação da sociedade a partir de uma perspectiva antirracista, antissexista, antilesbofóbica, anti-homofóbica, antitransfóbica, anticapitalista. Teoria Feminista: Da Margem ao Centro é, assim, uma convocação para a construção de uma nova ordem social.
Arquitetura e psique
Um estudo psicanalítico de como os edifícios impactam nossas vidas
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Não é difícil perceber em nós mesmos quão intensamente somos impactados pelos ambientes que frequentamos e visitamos. Muito mais difícil, contudo, é compreender tais impactos no nível de nossa subjetividade e o quanto podem influenciar nosso bem (ou mal) estar psíquico. O espaço construído, ao ser entendido como algo que se reflete em nossa forma de agir, sentir e pensar, é um elemento importante de nossa constituição como sujeitos individuais e sociais. Grosso modo, essa é a base da argumentação arguta e profunda que Lucy Huskinson desenvolve nesse ensaio, trazendo uma visão bastante ampla do fenômeno, a partir dos grandes psicanalistas e arquitetos contemporâneos, elaborando uma crítica contundente ao fazer arquitetônico ao mesmo tempo que elabora um paralelo lúcido entre o corpo e o espaço do habitar humano, mediados pela psicanálise.